Sinais de alerta
e gatilhos

Nem sempre é fácil perceber quando uma criança ou adolescente está vivendo um trauma. Muitas vezes, os sinais não são óbvios — eles aparecem por meio do comportamento, do corpo ou até de mudanças silenciosas no jeito de ser. Mas entender esses sinais pode ser crucial para oferecer ajuda e evitar que o sofrimento se prolongue.

O que observar com atenção:
● A mudança de comportamento é o sinal mais importante. O que mudou após determinado evento? A criança que era ativa agora está apática? A que era carinhosa agora está
distante ou agressiva?
● O contexto familiar e social também precisa ser observado: a criança presenciou violência? Perdeu alguém importante? Mudou de casa, escola ou cuidadores?
● Desenhos, brincadeiras e sonhos podem revelar conteúdos simbólicos do trauma, como figuras ameaçadoras, cenas de fuga, repetição de acidentes ou medo da morte.


Do ponto de vista neurológico (cérebro e corpo)
O trauma afeta diretamente o funcionamento do cérebro em desenvolvimento. Quando uma criança é exposta a situações muito estressantes — como violência, abuso, abandono ou perdas — seu cérebro, ativa mecanismos de sobrevivência. Isso pode causar desequilíbrios neurológicos nas seguintes áreas:

  • Amígdala: área que detecta o perigo. Em crianças traumatizadas, ela pode ficar hiperativa, fazendo com que a criança reaja com medo ou agressividade mesmo em situações seguras.
  • Hipocampo: responsável pela memória. O trauma pode dificultar o processamento e a organização das lembranças, levando a lacunas de memória, confusão ou um reviver constante do evento (como flashbacks ou pesadelos).
  • Córtex pré-frontal: envolvido no raciocínio, autocontrole e tomada de decisões. O trauma pode dificultar a autorregulação emocional e a concentração.

 

Sinais físicos ou neurológicos comuns:

  • Dores de cabeça ou barriga sem causa médica
  • Alterações no sono (insônia ou sono agitado)
  • Enurese (urinar na cama) em crianças que já haviam deixado essa fase
  • Tiques nervosos, gagueira súbita, movimentos repetitivos
  • Sobressaltos frequentes, como se estivessem sempre “em alerta”
 

Tipos de Trauma

fatores de influencia

Saúde Mental

como o trauma afeta o cérebro

Teoria do Apego

como se formam os vínculos

Do ponto de vista psicológico e comportamental

O trauma emocional pode gerar mudanças no comportamento, nas emoções e nas relações da criança com os outros. Cada criança reage de forma única, mas alguns padrões são comuns:

Comportamentos de alerta:

  • Reações exageradas ao toque, ao barulho ou a pequenas frustrações
  • Agressividade repentina ou episódios de violência
  • Isolamento social, timidez excessiva ou apatia
  • Regressão a comportamentos infantis (chupar dedo, falar como bebê)
  • Mentiras frequentes, furtos ou comportamentos de risco em adolescentes

Emoções frequentes:

  • Ansiedade constante, medos exagerados
  • Tristeza profunda ou irritabilidade sem motivo aparente
  • Baixa autoestima e sentimento de culpa (“a culpa foi minha”)
  • Vergonha e medo de confiar em adultos




Mudanças no desenvolvimento:

  • Queda no rendimento escolar
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Desinteresse por atividades antes prazerosas
  • Transtornos alimentares (comer em excesso ou recusar alimentos)





Sinais por idade
Na tabela abaixo apresentamos os sinais e comportamentos que crianças que sofreram traumas podem apresentar em diferentes estágios de desenvolvimento. As faixas etárias são apenas um referencial. 

Como identificar os gatilhos

Quando a criança se comporta de maneira inesperada e parece irracional ou extrema, ela pode estar vivenciando um gatilho traumático.

O gatilho aparece quando algum aspecto ligado ao evento traumático ocorre em uma situação completamente diferente, mas que lembra a criança do evento original (consciente ou inconscientemente). Por exemplo, ela pode sentir um cheiro, ouvir um som, ver ou lembrar de lugares, posturas, tons de voz ou outros pequenos sinais que desencadearão emoções explosivas, muitas vezes não percebidas e compreendidas pelas demais pessoas.

As respostas dos gatilhos podem ser consideradas como “reflexos”, ou seja, não são planejadas ou deliberadas. Quando os cérebros e corpos das crianças são sobrecarregados por memórias traumáticas, elas não conseguem considerar as consequencias do seu comportamento e tão pouco o efeito que causam sobre os outros.

Por isso é importante que os cuidadores observem essas crianças e tentem enxergar padrões e situações capazes de ativarem esses gatilhos.

Sinais de alerta e gatilhos