Estresse
tóxico

O estresse tóxico ocorre quando a criança passa por situações atípicas e estressantes de forma constante e repetida, por período prolongado e sem o apoio de um adulto cuidador, ou seja, sem ter para onde correr. Entre essas situações, citamos como exemplo negligência às suas necessidades, abuso físico e emocional, exposição à violência doméstica, como por exemplo brigas constantes entre os pais, histórico de vício em drogas dentro da família, bullying e também problemas mentais e casos de pobreza extrema.

No estresse tóxico, o sistema de resposta do corpo é ativado excessivamente, aumentando a produção de adrenalina e de cortisol, e com isso enfraquece o desenvolvimento da arquitetura cerebral. Como se sabe, os neurônios não se regeneram, e a “quebra” deles logo na infância – quando o cérebro está em constante desenvolvimento e aprendizado – traz consequências para a vida toda.

É importante destacar que o estresse tóxico nada tem a ver com o stress do dia a dia, quando uma criança recebe um não e faz birra, ou quando está com fome ou sono. Trata-se de algo muito mais específico e sério.

Existem três tipos de estresse:
● leve: de curta duração e baixa intensidade = é positivo;
● moderado: um pouco mais intenso e sério = não compromete;
● estresse tóxico: é intenso e prolongado = traz consequências emocionais e neurológicas.

Estresse leve: é positivo para o desenvolvimento da criança, pois gera novas ligações cerebrais (sinapses) e ajuda a adquirir novas habilidades. Causa um pequeno aumento na liberação de hormônios do estresse e também na frequência cardíaca. Ocorre em situações como o nascimento de um irmão, tomar uma vacina ou lidar com pequenas frustrações.

Estresse moderado: mais sério e com maior duração, porém não tão intenso quanto o estresse tóxico. Conta com apoio dos adultos, o que permite total reestabelecimento da criança. Ocorre, por exemplo, com crianças que passam por doenças e precisam de maior tempo de cuidado e tratamento.

Estresse tóxico: ativação prolongada dos sistemas de resposta do organismo, sem qualquer tipo de proteção ou amparo. Supera a capacidade de regeneração cerebral da criança, causando alterações cerebrais e psíquicas profundas, que perduram pela vida toda. Se ocorrido na Primeira Infância, leva a consequências ainda mais sérias. Pode causar dificuldades no relacionamento pessoal e no aprendizado, tendências violentas e suicidas, problemas hepáticos e cardíacos, obesidade, delinquência, tendência a depressão, problemas com drogas, entre outros. 

As crianças cujo desenvolvimento corre riscos são aquelas que vivem em circunstâncias muito difíceis”, enfatiza o Dr. Jack Shonkoff, diretor do Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. “Não se trata de apenas um dia ruim, aqui ou ali. Mas algo constante, dias, semanas, meses, anos, onde há pouca interação positiva, em que o nível de estresse é muito alto. Não há tempo para pensar no amanhã, eles só tentam viver mais um dia.“ (O Começo da Vida).

Você conhece o Estudo ACEs? 
Esse é o nome de um dos maiores e mais importantes estudos realizados sobre infância, saúde e comportamento humano e significa “Experiências Adversas na Infância” (da sigla em inglês ACE “Adverses Chilhood Experiences”). 
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Estresse tóxico