A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby nas décadas de 1950 e 1960, busca compreender como se formam os vínculos afetivos entre crianças e seus cuidadores

John Bowlby, psiquiatra e psicanalista britânico, formulou a teoria destacando que o apego é um comportamento instintivo e essencial para a sobrevivência infantil. Segundo ele, essas conexões visam garantir proteção e segurança psicológica às crianças.

A teoria foi alicerçada em estudos sobre crianças privadas de contato afetivo e separadas de cuidadores, que revelaram impactos emocionais duradouros.

Características da teoria:

  • Especificidade: Apego direcionado a cuidadores específicos.
  • Duração: Persiste por grande parte da vida.
  • Envolvimento emocional: Emoções intensas ligadas a vínculos de apego.
  • Ontologia: Desenvolve-se nos primeiros meses, mais ativo até os 3 anos.
  • Aprendizagem: Independente do reforço; pode ocorrer mesmo com punições.
  • Organização: Sistema simples ativado/ desativado por estímulos claros.
  • Função biológica: Tem papel protetor e adaptativo na sobrevivência.

A teoria descreve fases evolutivas do apego:

  • Pré apego (0 a 6 semanas): nesta fase o bebê mostra preferência por estímulos humanos, especialmente rostos, mesmo que ainda não identifique sua figura de apego especifica. O reconhecimento se restringe à voz e ao cheiro, mas ainda não há formação de vínculo específico.
  • Formação do apego (da 6ª semana ao 6º/8º mês): o bebê reconhece figuras conhecidas e começa a direcionar atenção, além de demonstrar rejeição a estranhos. O bebê sorri, chora e emite vocalizações de formas diferenciadas apenas na presença da pessoa cuidadora.
  • Apego claro (da 6º/8º mês até aproximadamente o 18º mês):): vínculo bem estruturado. A ausência da figura de apego provoca ansiedade de separação. O desconhecido gera medo, levando a criança a buscar proximidade e conforto. Nessa fase, o bebê demonstra a consciência de que a figura de apego continua existindo mesmo quando não está presente fisicamente.
  • Formação de uma relação recíproca (a partir do 18º mês): com o avanço das capacidades mentais e linguísticas, a interação entre criança e figura de apego torna-se cada vez mais colaborativa e intencional. A relação evolui para um vinculo recíproco, em que a comunicação e a compreensão mútua ganham espaço, marcando um novo patamar no desenvolvimento afetivo.

Baseado na qualidade da resposta do cuidador, Mary Ainsworth identificou padrões/ modelos de apego:

  • Seguro: a criança se sente protegida e confiante em explorar o ambiente.
  • Inseguro evitante: prefere independência, evita proximidade e minimiza expressões emocionais.
  • Inseguro ambivalente (preocupado): busca constante atenção, pode exibir comportamentos conflitantes entre busca por afeto e medo de rejeição.

E quais são os impactos na vida adulta?

A Teoria do Apego foi estendida aos relacionamentos amorosos pelos psicólogos Cindy Hazan e Phillip Shaver, que identificaram quatro estilos de apego em adultos: seguro, ansioso-preocupado, evitativo-desapegado e assustado-evitativo.

Indivíduos com apego seguro tendem a ter relacionamentos equilibrados e saudáveis, enquanto os estilos inseguros estão associados a dificuldades de confiança, intimidade e regulação emocional.

Estudos sobre os efeitos do abandono e da institucionalização mostram que a falta de vínculos estáveis na primeira infância pode comprometer o desenvolvimento neurológico e emocional da criança.

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