Intervenções
e técnicas possíveis

O tratamento do trauma em crianças, adolescentes e adultos precisa ser cuidadosamente escolhido de acordo com a idade, a gravidade da experiência traumática e o perfil psicológico da pessoa. As principais abordagens terapêuticas reconhecidas como eficazes no tratamento de traumas, especialmente os traumas complexos ou relacionados à infância, são:

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) com foco em trauma
  • O que é: Ajuda a identificar e modificar pensamentos disfuncionais ligados ao trauma. Envolve exposição gradual, reestruturação cognitiva e técnicas de enfrentamento.
  • Indicação: Crianças e adolescentes com ansiedade, fobias, depressão e TEPT.
  • Eficácia: Muito eficaz. É uma das abordagens mais recomendadas em diretrizes clínicas internacionais. Fonte: Cohen, J. A., Mannarino, A. P., & Deblinger, E. (2006). Treating Trauma and Traumatic Grief in Children and Adolescents.
  • O que é: Terapia que prioriza a criação de um vínculo terapêutico seguro, reparando falhas na construção do apego (muito comum em crianças negligenciadas ou abusadas). Cria um espaço onde o terapeuta serve como uma figura segura e confiável, ajudando a criança a reorganizar sua experiência emocional.
  • Indicação: Crianças pequenas, adotadas, institucionalizadas ou com vínculos familiares instáveis.
  • Eficácia: Muito útil para restaurar a confiança básica e a capacidade de se relacionar com segurança. Fonte: Bowlby, J. (1988). Apego e perda; Hughes, D. (2004). Building the Bonds of Attachment. LINK PRO BLOG
  • O que é: é uma abordagem terapêutica desenvolvida para atender às necessidades de crianças que sofreram traumas, como abuso, negligência ou múltiplos lares adotivos. O TBRI foca em construir confiança, atender às necessidades físicas e emocionais da criança.
  • Indicação: Crianças que sofreram traumas de desenvolvimento, Crianças em acolhimento institucional ou familiar, Cuidadores que buscam formas mais eficazes de se conectar e cuidar de crianças vulneráveis
  • Eficácia: O TBRI se baseia em décadas de pesquisa sobre apego, processamento sensorial e neurociência e foi desenvolvido pelo Karyn Purvis Institute of Child Development
  • O que é: é uma abordagem terapêutica e pedagógica que utiliza o movimento e o brincar para promover o desenvolvimento integral da pessoa, especialmente em crianças. Ela foca nas relações interpessoais, nas emoções e na comunicação não verbal, buscando a integração entre corpo, mente e ambiente. 
  • Indicação: indicada para ajudar a criança a tomar consciência de suas próprias emoções, necessidades e limites, aprender a lidar com suas emoções de forma mais adequada, facilitar as interações sociais promovendo socialização e empatia, entre outras indicações.
  • Eficácia: o método permite observar e acompanhar o desenvolvimento da criança durante as sessões, bem como propiciar um espaço de jogo espontâneo e lúdico, o que favorece e facilita para a criança manifestar e expressar suas dificuldades relacionais, suas necessidades e seus desejos.
  • O que é: Ajuda a criança a expressar seus sentimentos inconscientes por meio do brincar, da fala e do vínculo com o terapeuta. Trabalha questões profundas de identidade e vínculo.
  • Indicação: Traumas relacionados a rejeição, negligência afetiva, violência doméstica, conflitos parentais.
  • Eficácia: Muito valiosa em casos complexos e para desenvolver autoconhecimento emocional ao longo do tempo. Fonte: Winnicott, D. W. (1971). O Brincar e a Realidade; Klein, M. (1957). Inveja e gratidão.
  • O que é: Uso de recursos não verbais (desenho, pintura, música, teatro) como meio de expressão do trauma.
  • Indicação: Crianças com dificuldade de verbalizar o trauma ou que estão em fases iniciais do tratamento.
  • Eficácia: Muito útil como apoio emocional e forma de expressão simbólica
  • O que é: Trabalham a relação entre corpo e mente, ajudando o corpo a “liberar” tensões e padrões associados ao trauma.
  • Indicação: Casos em que o trauma se manifesta no corpo (tensões, insônia, dores, dissociação).
  • Eficácia: Fortemente recomendadas como complemento à psicoterapia tradicional. Fonte: Van der Kolk, B. (2015). O Corpo Guarda as Marcas.
  • O que é: Técnica baseada em estímulos bilaterais (como movimentos oculares) para ajudar o cérebro a “reprocessar” memórias traumáticas.
  • Indicação: Casos de TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático), abuso, acidentes, perdas ou traumas complexos.
  • Eficácia: Altamente eficaz, com evidência científica robusta. Recomendada pela OMS e APA (Associação Americana de Psicologia). Fonte: Shapiro, F. (2018). EMDR: Eye Movement Desensitization and Reprocessing.

Nas tabelas abaixo, apresentamos diversas técnicas específicas com mais detalhamentos e indicações:

 

Considerações finais

  • Não existe uma “única melhor terapia ou técnica”, mas sim as mais indicadas para cada pessoa, considerando idade, tipo de trauma, contexto familiar e personalidade.
  • O vínculo com o terapeuta é tão importante quanto a técnica escolhida — a criança precisa sentir-se segura, respeitada e compreendida.
  • Na maioria dos casos (para não dizer em todos) é necessário complementar o trabalho terapêutico com apoio escolar, familiar e social.

Intervenções e técnicas possíveis