Violência sexual
contra Crianças
Violência sexual infantil envolve qualquer forma de contato sexual imposto à criança ou adolescente, com ou sem uso de força física.
Inclui:
● Estupro
● Ato libidinoso
● Exploração sexual (como prostituição infantil)
● Produção ou exibição de material pornográfico com crianças
● Abusos praticados por familiares ou pessoas próximas (incesto)
Segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), toda atividade sexual envolvendo menores de 14 anos é considerada estupro de vulnerável, mesmo que haja “consentimento”.
Quais os efeitos
traumáticos?
A criança ainda está formando seu sentido de si e sua relação com o mundo. A violência sexual invade e distorce esse processo, deixando marcas profundas no corpo e na mente. Entre os efeitos mais comuns:
- Confusão e culpa
- A criança muitas vezes não entende o que aconteceu e se sente culpada, especialmente quando o agressor é alguém de confiança.
- Pode haver a chamada “confusão de línguas” (Ferenczi), em que a criança busca carinho e o adulto responde com violência sexual, criando um colapso interno.
- Medo, vergonha e silenciamento
- A criança pode ser ameaçada ou sentir que “ninguém vai acreditar”.
- Isso leva ao isolamento emocional e ao silêncio sobre o trauma.
- Danos à autoestima e à identidade
- Sentimento de sujeira, impureza ou de que seu corpo “não vale nada”.
- Dificuldade de confiar nos outros ou em si mesma.
- Sintomas físicos e psíquicos
- Transtornos de ansiedade, depressão, fobias
- Automutilação, distúrbios alimentares
- Distúrbios do sono e pesadelos recorrentes
- Problemas escolares e de socialização
- Em casos mais graves, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e ideação suicida
O trauma do abuso é único porque fere o corpo, a mente e o vínculo afetivo ao mesmo tempo. Costuma ocorrer de forma repetida, e frequentemente por alguém próximo e confiável. É silenciado ou minimizado pelas pessoas ao redor, o que amplia o sofrimento e a solidão.
O que dizem
os estudos?
O estudo ACEs (Adverse Childhood Experiences), de Felitti et al. (1998), mostrou que experiências adversas na infância, incluindo abuso sexual, estão ligadas a problemas de saúde mental, dependência química e doenças físicas crônicas na vida adulta.
A psicanalista Alice Miller afirmou que o silêncio e a negação do trauma são tão prejudiciais quanto o ato violento em si.
Autores como Judith Herman e Bessel Van Der Kolk defendem que o trauma sexual vivido na infância pode afetar o funcionamento cerebral, o sistema nervoso e o senso de segurança existencial.
E como cuidar?
● Acolher e acreditar na criança é o primeiro passo.Evitar julgamentos ou perguntas que a façam duvidar da própria experiência.
● Oferecer psicoterapia especializada em trauma infantil, entre outros recursos.

